Sobre habitar o entre-lugar: notas de uma terapia em três línguas
O que muda quando a palavra precisa atravessar três culturas antes de chegar ao outro?
Há uma experiência particular de quem vive entre línguas: a sensação de que uma parte de si fica sempre do outro lado da tradução. Para pessoas altamente sensíveis, que já percebem o mundo com mais profundidade, esse entre-lugar pode ser ao mesmo tempo fonte de riqueza e de cansaço.
A língua como casa
Atender em português, inglês e francês me ensinou que escolher a língua de uma sessão é também escolher onde se quer descansar. Algumas dores só encontram palavra na língua materna; outras, paradoxalmente, ficam mais fáceis de dizer à distância de um segundo idioma.
O corpo que traduz
A aromaterapia entra aqui como um idioma que dispensa tradução: o cheiro chega antes da palavra, direto ao sistema nervoso. Para quem está cansada de se explicar, é um alívio encontrar uma porta que não exige gramática.
Se algo aqui ressoou, vamos conversar.
